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BIM na obra: do modelo federado ao orçamento, ao cronograma e à manutenção

Modelo federado em IFC, compatibilização em BCF, quantitativos rastreáveis, 4D, 5D e plano de manutenção pela NBR 15575, com uma escola real como exemplo.

Equipe de engenharia da RA Engenharia11 de outubro de 202617 min de leitura

Modelo federado de uma creche no OrçaPRO: arquitetura, elétrica e hidrossanitária

BIM é o modelo da obra funcionando como banco de dados: cada parede, tubo e eletroduto carrega geometria e informação, e dessa informação saem o quantitativo, o orçamento, o cronograma e o plano de manutenção. Este artigo mostra o fluxo real, com o exemplo de uma escola de educação infantil cujos projetos de arquitetura, elétrica e hidrossanitário chegaram em IFC, de projetistas diferentes. Ao terminar, você sabe o que pedir ao projetista, como juntar os modelos, como tirar quantidades confiáveis e como entregar o modelo ao cliente.

O que BIM é de verdade

BIM é a sigla de Modelagem da Informação da Construção, e a palavra que importa é informação. Um modelo 3D sem dados é uma maquete eletrônica. O BIM começa quando cada peça carrega atributos que outra pessoa vai usar depois: tipo, material, pavimento, espessura, sistema a que pertence e relação com as peças vizinhas.

O Decreto 10.306/2020 define BIM como um conjunto de tecnologias e processos integrados que permite criar, usar e atualizar modelos digitais de uma construção, de forma colaborativa, ao longo do ciclo de vida. A definição não fala em programa; a informação é o que precisa sobreviver à troca.

No exemplo deste artigo, o IFC de arquitetura da escola tem 183 paredes, 83 portas, 81 janelas, 69 lajes e pisos e 64 ambientes. Cada parede sabe em que nível está, o comprimento, a altura, as camadas de material e a área com e sem os vãos. Em planilha, saber quantos metros quadrados de alvenaria tem o primeiro pavimento é um levantamento sobre o PDF. No modelo, é uma consulta ao banco de dados.

As dimensões do BIM, com a escola como exemplo

As dimensões dizem que tipo de informação está ligada à geometria; a tabela abaixo mostra cada uma na escola. A numeração do 6D e do 7D varia entre autores: uns chamam de 6D a sustentabilidade e de 7D a gestão do ativo, outros fazem o inverso. Aqui, 6D é manutenção e operação, e 7D é sustentabilidade e ciclo de vida.

DimensãoO que acrescentaNa escolaO que precisa estar no modelo
3DGeometria com informaçãoTrês modelos (arquitetura, elétrica e hidrossanitário) sobre térreo, primeiro pavimento e coberturaPeças na categoria certa, níveis, materiais e origem comum
4DTempo: cada peça ligada a uma tarefaA alvenaria do primeiro pavimento só começa depois da laje; o modelo mostra a obra subindo semana a semanaNíveis mapeados e cronograma com tarefas por pavimento e categoria
5DCusto: quantidade do modelo × composiçãoA área líquida das paredes do primeiro pavimento vira alvenaria, chapisco, reboco e pintura no orçamentoQuantidades auditáveis, composições, BDI e rastreio da peça à linha
6DManutenção e operaçãoImpermeabilização da caixa d'água, pintura, esquadrias e quadros com vida útil, garantia e rotina de inspeçãoSistemas identificados, fabricante, data de instalação e vida útil de projeto
7DSustentabilidade e ciclo de vidaCusto de manter a escola por ano e ao longo de 20 anos, somando reposição e manutenção periódicaVida útil, periodicidade e custo de cada intervenção

Modelo federado: cada disciplina no seu arquivo

Arquitetura, estrutura, elétrica, hidrossanitária, incêndio e ar-condicionado são modelos separados, cada um do seu projetista. Cada um entrega o seu modelo em IFC, e o coordenador sobrepõe tudo num modelo federado, um por obra, sem fundir os arquivos. Cada projetista continua dono do seu arquivo, e a revisão 01 da elétrica substitui só a elétrica.

Os três modelos da escola

A escola tem térreo, primeiro pavimento e cobertura com a base da caixa d'água. Chegaram três arquivos: arquitetura em IFC4 (Reference View), com 25 MB; elétrica em IFC2x3 (Coordination View 2.0), com 23 MB e unidade em centímetros; hidrossanitário em IFC2x3 (Coordination View 2.0), com 76 MB e 1,4 milhão de linhas. Os três vieram do mesmo programa de modelagem, de escritórios diferentes, e mesmo assim chegaram com esquema, vista e unidade diferentes.

O que funcionou sem ajuste: a origem dos três está no mesmo ponto e os níveis coincidem. Térreo na cota 0,00, primeiro pavimento em +3,296 m e cobertura em +6,697 m, nos três arquivos.

O que exige cuidado, também real:

  • Os nomes dos níveis não batem: o nível de +6,697 m é "Cobertura" na elétrica e "Base caixa d'água" na hidráulica. Ligar o cronograma por pavimento exige uma tabela de equivalência.
  • A arquitetura exportou 29 "pavimentos", porque cada nível de referência da modelagem (platibanda, forro, calçada, piscina) saiu como pavimento. Só três são pavimentos de verdade.
  • Louças e metais aparecem na arquitetura (251 terminais de instalação) e no hidrossanitário (458). Somar os dois conta cada bacia duas vezes; é preciso definir o dono de cada tipo de peça.

A NBR ISO 19650 organiza isso com campos de nome para cada arquivo (projeto, originador, volume ou sistema, nível, tipo de informação, disciplina e número) e um estado para cada versão: em trabalho, compartilhado, publicado ou arquivado. O padrão pode ser curto; o que não pode é mudar no meio do projeto.

apontamentos em BCF voltam ao projetista, que reexporta o IFC Arquitetura Estrutura Elétrica Hidrossanitário Incêndio Ar-condicionado IFC IFC IFC IFC IFC IFC Modelo federado um por obra origem comum níveis mapeados nomenclatura fixa dono de cada peça revisão e data por disciplina Interferências Quantitativos 4D e 5D 6D e 7D lista por rodada, BCF orçamento rastreável cronograma e Curva S manutenção e ciclo de vida
Cada disciplina entrega o seu IFC; o coordenador sobrepõe tudo num modelo federado por obra, e os apontamentos voltam ao projetista em BCF.

Interoperabilidade e openBIM: IFC, BCF e NBR ISO 19650

openBIM é o fluxo em que os modelos circulam em formatos abertos, lidos por qualquer programa. Os três pilares são o IFC (o modelo), o BCF (os apontamentos) e a ISO 19650 (o processo).

IFC: o modelo

IFC significa Industry Foundation Classes. É o esquema aberto da buildingSMART, publicado como norma ISO 16739, que descreve os objetos da construção: parede, laje, porta, trecho de tubo, pavimento.

Duas versões convivem. O IFC2x3, mais antigo, ainda é o mais usado na troca de instalações, com a vista Coordination View 2.0. O IFC4, de 2013, trouxe geometria mais leve e quantidades-base padronizadas, com a vista Reference View para coordenação.

BCF: os apontamentos

BCF é o BIM Collaboration Format: um arquivo pequeno, separado do modelo, que carrega cada apontamento com título, descrição, imagem, posição da câmera, identificadores das peças, status, responsável, prazo e comentários. A versão 2.1 é a que a maioria dos programas lê e grava.

NBR ISO 19650: o processo

A série ISO 19650 chegou à ABNT em 2022, com a parte 1 (conceitos) e a parte 2 (fase de entrega). Ela organiza a informação:

  • Requisitos de informação: o que o contratante precisa receber, em que formato e quando. O plano de execução BIM é a resposta da equipe de projeto, com responsáveis, programas, origem, níveis e nomenclatura.
  • Ambiente comum de dados (CDE): o lugar único dos arquivos, com os estados em trabalho, compartilhado, publicado e arquivado. Só o publicado vale para a obra.
  • Nível de informação necessário: a informação que cada uso exige. Para orçar alvenaria basta espessura, altura e vãos; para manutenção, fabricante e data de instalação.

Em obra pequena, o CDE pode ser uma pasta compartilhada com regra escrita de nomes e estados, desde que exista uma única versão publicada de cada disciplina.

Compatibilização e análise de interferências

Compatibilizar é fazer os projetos caberem no mesmo prédio. A análise de interferências é a parte que o modelo faz bem: cruzar a geometria de uma disciplina com a de outra e listar onde se chocam. Há três tipos:

  • Física (hard clash): dois sólidos no mesmo espaço. Tubo de esgoto atravessando viga, eletroduto dentro de pilar.
  • De folga (soft clash): as peças não se tocam, mas a distância é menor que a necessária. Espaço de manutenção na frente do quadro, altura livre sob a tubulação.
  • De fluxo de trabalho: a geometria cabe, mas a sequência não. Forro fechado antes do teste de pressão, equipamento que não passa pela porta depois da alvenaria.

Na escola, o hidrossanitário tem 1.725 trechos de tubo e 4.201 conexões, e a elétrica tem 1.793 trechos de eletroduto. Cruzar isso com 183 paredes e 69 lajes a olho não acontece.

Como se organiza em rodadas

A rodada zero confere os modelos como chegaram: origem, níveis, unidade. Sem isso, a detecção gera milhares de falsos conflitos. A rodada um cruza as disciplinas aos pares, segundo uma matriz, com tolerância definida. O resultado passa por triagem (falso positivo, duplicado), e o que sobra recebe tipo, prioridade, responsável e prazo e vai ao projetista em BCF. Ele revisa, reexporta o IFC, e a rodada dois mostra o que foi resolvido, o que ficou e o que apareceu.

Par de disciplinasO que procurarPrioridadeQuem resolve
Arquitetura × EstruturaPilar em vão de porta, viga abaixo do pé-direito, furo de escadaAltaArquiteto e calculista, juntos
Estrutura × HidrossanitárioEsgoto e queda atravessando viga ou pilar, prumada sem shaftAltaHidráulica desvia; calculista autoriza o furo
Estrutura × ElétricaEletroduto em pilar, quadro embutido em elemento estruturalAltaElétrica
Hidrossanitário × ElétricaCruzamento de redes sem afastamento, caixa de passagem sobre tubulaçãoAltaQuem chegou por último na rota
Arquitetura × InstalaçõesPonto fora do ambiente, luminária em forro inexistente, tubo aparente em fachadaMédiaInstalações
Incêndio × todasHidrante e chuveiro automático obstruídos, rota de fuga com obstáculoAltaDisciplina que obstrui
Ar-condicionado × todasDuto contra viga, altura do forro, dreno sem caimentoAltaAr-condicionado e estrutura

Cada apontamento precisa de identificação única, par de disciplinas, tipo, peças envolvidas, prioridade, responsável, prazo, status e a rodada em que surgiu.

O custo de achar na obra

No modelo, corrigir uma interferência é mover uma linha e reemitir um arquivo. Na obra, ela aparece com a viga concretada e o tubo precisando passar: furo em viga, desvio de rede, demolição de alvenaria pronta, equipe parada, material que não serve mais e, no caminho crítico, atraso que empurra tudo o que vem depois. Quanto mais tarde a descoberta, mais coisa já foi construída em cima dela. É esse encadeamento que torna a interferência cara, não um percentual fixo.

1. Modelos IFC recebidos 2. Detecção por par 3. Triagem 4. Classificar 5. BCF ao projetista 6. Projetista revisa rodada n: origem, níveis, unidade matriz de disciplinas, tolerância falso positivo, duplicado tipo, prioridade, responsável, prazo câmera, peças, status novo IFC entra na rodada n+1 rodada n+1 resíduo aceito e documentado
Compatibilização em rodadas: detecção, triagem, classificação, BCF ao projetista e novo IFC, até sobrar um resíduo aceito e documentado.

Quantitativos do modelo e rastreabilidade

O que sai certo, se o modelo foi bem feito: volume de concreto; área de alvenaria descontados os vãos; área de piso, forro e pintura por ambiente; comprimento de tubo, eletroduto e rodapé; contagem de portas, janelas, luminárias, tomadas e louças. O IFC distingue a área bruta da área líquida da parede, e o orçamentista precisa saber qual está usando.

O que não sai sozinho: escavação e reaterro, formas e escoramento, andaimes, locação, canteiro, mobilização, limpeza, transporte, ensaios e perdas. Esses serviços não têm geometria no modelo; entram por composição, por regra ou por experiência, e a memória de cálculo diz qual foi o caminho. A quantidade do modelo é a quantidade líquida de projeto; perda entra na composição ou como coeficiente, nunca engordando o modelo.

Da peça à linha do orçamento

Rastreabilidade é responder, para qualquer linha do orçamento, quais peças formam aquela quantidade, e, para qualquer peça, em qual linha ela está. Cada peça do IFC tem um identificador único (GUID), e é ele que faz a ligação. A memória de cálculo registra serviço, pavimento, número de peças, área bruta, vãos, área líquida, unidade e composição.

Antes de confiar, compare três ou quatro linhas com um levantamento manual sobre a planta. Na escola, a decisão mais importante foi tirar as louças do hidrossanitário, e não da arquitetura, para não contar duas vezes.

Peça Quantidade Linha do Tarefa Custo no Sistema GUID no IFC m², m³, m, un orçamento cronograma (4D) tempo (5D) manutenção (6D e 7D) memória de cálculo: quais peças formam a linha a mesma peça carrega data, custo e vida útil
Rastreabilidade: a peça liga a quantidade à linha do orçamento, à tarefa, ao custo no tempo e ao sistema de manutenção.

4D, 5D, 6D e 7D na prática

4D: a obra sobe na ordem do cronograma

Ligar o modelo ao tempo é associar cada peça a uma tarefa. Não se faz peça por peça; faz-se por regra, pavimento mais categoria: a tarefa "alvenaria do primeiro pavimento" pega todas as paredes de alvenaria daquele nível. Para isso, as tarefas precisam ter a granularidade das peças e os níveis precisam estar mapeados.

O modelo então mostra a obra subindo semana a semana e revela o que o Gantt esconde: laje programada antes do pilar, tubulação embutida depois do reboco. Na execução, as peças concluídas recebem a data real pelo diário de obra, e o modelo mostra previsto e realizado lado a lado. O artigo sobre cronograma, fluxograma e histograma trata de como montar as tarefas.

5D: o custo no tempo e a Curva S

Se cada tarefa tem peças e cada peça tem uma linha do orçamento, cada tarefa tem custo. Distribuir esse custo pelas datas do cronograma dá o custo acumulado mês a mês: a Curva S prevista. A medição e as despesas da obra dão a curva realizada. A distância entre as duas, numa data, é o desvio físico-financeiro, e as peças previstas e não executadas ficam visíveis no modelo.

0% 25% 50% 75% 100% mês 0 mês 3 mês 6 mês 9 mês 12 valor acumulado do orçamento (%) tempo (meses) hoje (mês 7) desvio físico-financeiro prevista: orçamento distribuído pelo cronograma realizada: medição e diário de obra
Curva S: prevista pelo orçamento distribuído no cronograma, realizada pela medição e pelo diário; a distância entre elas é o desvio físico-financeiro.

6D e 7D: o que fica com o cliente

O 6D é o plano de manutenção e operação. A referência de vida útil é a NBR 15575, a norma de desempenho, que fixa a vida útil de projeto mínima de cada sistema. Ela é escrita para edificações habitacionais; na falta de norma específica, seus valores servem de referência para outros prédios, como a escola. A NBR 5674 exige um sistema de gestão da manutenção, com plano, periodicidades, responsáveis e registros, e a NBR 14037 orienta o manual de uso, operação e manutenção entregue com a obra.

No modelo, isso vira informação por sistema: o que é, onde está, vida útil de projeto, garantia, fabricante, data de instalação e rotina de inspeção. O 7D acrescenta o custo do ciclo de vida: reposição de cada sistema ao fim da vida útil mais manutenção periódica, somadas ano a ano. É uma estimativa e deve ser entregue como tal, com as premissas escritas.

BIM no Brasil: Estratégia BIM BR, Decreto 10.306/2020 e Lei 14.133/2021

A Estratégia BIM BR, a política federal para o tema, foi criada pelo Decreto 9.377/2018, reorganizada pelo Decreto 9.983/2019 e hoje está no Decreto 11.888/2024, com um Comitê Gestor e o objetivo de difundir o BIM e propor regras para contratações públicas.

O Decreto 10.306/2020 fixa a exigência em três fases:

  1. Desde 1º de janeiro de 2021: BIM nos projetos de arquitetura e engenharia de obras de grande relevância, cobrindo no mínimo arquitetura, estrutura, hidráulica, AVAC e elétrica, com detecção de interferências, extração de quantitativos e documentação gráfica extraída dos modelos.
  2. Desde 1º de janeiro de 2024: além disso, BIM na execução e na gestão das obras, com orçamentação, planejamento e controle da execução e atualização do modelo como construído.
  3. A partir de 1º de janeiro de 2028: além de tudo isso, o gerenciamento e a manutenção do empreendimento depois de construído, alcançando também obras de média relevância.

O alcance do Decreto 10.306/2020 é mais estreito do que se repete: ele obriga o Ministério da Defesa (imóveis do Exército, da Marinha e da Força Aérea) e o então Ministério da Infraestrutura (aeroportos regionais e obras de arte especiais do DNIT). Os demais órgãos federais podem aderir, e estados e municípios têm regras próprias. Leia o edital.

A Lei 14.133/2021 diz, no art. 19, que nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura, sempre que adequada ao objeto, será preferencialmente adotada a Modelagem da Informação da Construção. A leitura corrente é que o órgão que não adota precisa justificar a escolha. Na prática, os editais passam a pedir o modelo como entregável, quantitativos extraídos dele e o as built em IFC.

Para quem licita, o orçamento de referência continua regido pelo Decreto 7.983/2013, com SINAPI e SICRO, e o BDI continua seguindo o Acórdão TCU 2.622/2013 Plenário. O BIM não troca a referência de preço; troca a origem das quantidades e a possibilidade de auditá-las. Quem sabe abrir o IFC do edital confere o quantitativo antes de dar o preço e aponta a divergência no prazo de impugnação, em vez de descobri-la na medição.

BIM na obra pequena e média: por onde começar

Não é preciso comprar o programa de modelagem para trabalhar em BIM na obra. Quem modela é o projetista, e muitas vezes ele já tem o modelo e entrega só o PDF. O primeiro passo é pedir. O que colocar no contrato de projeto, numa página:

  • Entrega em IFC a cada revisão, junto com o PDF, no esquema e na vista combinados.
  • Origem comum, níveis combinados e os mesmos nomes de pavimento em todos os modelos.
  • Unidade em metros e peças na categoria certa, com tipo, material, pavimento e sistema.
  • Dono de cada tipo de peça (louças, luminárias, equipamentos) e resposta aos apontamentos em BCF, com prazo.

Roteiro de implantação em etapas

  1. Escolher a obra piloto, de porte médio, com projetistas dispostos a entregar IFC. Pronto quando o contrato de projeto tem a página de requisitos.
  2. Receber e conferir: cabeçalho do IFC, origem, níveis, unidade, categorias. Pronto quando a lista de pendências de cada modelo foi enviada ao projetista.
  3. Federar: modelos juntos numa obra, com revisão e data de cada um. Pronto quando qualquer pessoa da equipe sabe qual revisão está vendo.
  4. Compatibilizar: matriz de pares, tolerância, rodadas, BCF. Pronto quando a lista residual foi aceita pelos projetistas.
  5. Quantificar e orçar: quantidades líquidas do modelo, perdas na composição, rastreio da peça à linha. Pronto quando cada linha tem memória de cálculo.
  6. Planejar em 4D e 5D: tarefas por pavimento e categoria, Curva S prevista, linha de base selada. Pronto quando a simulação não tem erro de sequência.
  7. Executar com o modelo: avanço real pelo diário, medição ligada às peças, as built atualizado. Pronto quando previsto e realizado aparecem no modelo, por data.
  8. Entregar 6D e 7D: plano de manutenção, garantias, vida útil, custo do ciclo de vida e arquivo da obra. Pronto quando o cliente recebeu o pacote e sabe usá-lo.

A gestão da obra inteira, do contrato à medição, está no artigo sobre gestão de obra completa.

Perguntas frequentes

O que é um modelo federado em BIM?

É a reunião dos modelos de cada disciplina (arquitetura, estrutura, instalações), entregues em IFC, num único ambiente por obra, sem fundir os arquivos. Cada projetista continua dono do seu modelo e as revisões são independentes.

Preciso de software de modelagem para usar BIM na obra?

Não. Quem modela é o projetista. A construtora trabalha com o IFC que ele exporta: junta os modelos, confere interferências, extrai quantitativos e liga as peças ao cronograma e ao orçamento.

Qual a diferença entre IFC e BCF?

O IFC é o arquivo do modelo, com a geometria e a informação de cada peça. O BCF é o arquivo dos apontamentos: cada problema com imagem, posição da câmera, peças envolvidas, responsável, prazo e status, e ele viaja separado do modelo.

O BIM é obrigatório em licitações no Brasil?

A Lei 14.133/2021 diz que o BIM deve ser preferencialmente adotado em licitações de obras e serviços de engenharia, quando adequado ao objeto. O Decreto 10.306/2020 fixa fases de exigência (2021, 2024 e 2028) para determinados órgãos federais. Estados e municípios têm regras próprias, e o edital é que define.

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